segunda-feira, 27 de julho de 2020

Joana Flor



Olho para o céu e te vejo
Minha morena, pequenininha
Se pudesses estavas pelos telhados
Junto com os passarinhos

Estarias camuflada
Nos dourados vastos
Imensidão de areia
Banhada pelas águas doces de minha mãe

Na mata, sabiá
Periquita amarela
Canário da terra
No rio, grãos reluzentes
de água e sol

Não me enganas
Teu olhar escorpião
 É veneno certeiro
Que deixo pousar
Arear docemente
meu coração.


2020.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Olhos de Rio

Todas as segundas meus olhos neblinam
Meus olhos, cor de rio
Que passeia nas sombras de tantas
Como arvores, tão antigas
Quanto.

Sementes de agua doce
Lembranças do selvagem
Meu sangue quente
                                     Instinto ardil
Nessas correntezas sou abraçada e despida
De pele
De forma
Do tempo

Meus olhos cachoeira

Coincide com essas segundas terrestres
O retorno de meus ancestrais
Como um sopro de sentimentos
Memorias no espaço aberto
São pancadas de intensidade

Lagrimas,
Que meus olhos não conseguem expelir
Que são tão antigas

Quanto.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ferida aberta

Minha energia suprime com a tua falta
Inquietação nociva
Pai de todos os males

Não há norte para nós
Nem morte
Não nesta vida

Tua presença é certa
Olhos que reconheço, corpo que sinto

Mãos pequenas, linhas apagadas
Ainda não me encontraste
E eu me enganei

Apaguei. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O

A sede é de fogo
                         certos dias
Com as ruas cheias
Os pés descalços
E o coração...
  [sombrio]

Transformação

Um dia difícil?
Dia de minha morte

Aquele dia claro
Sem me preocupar com os versos
Uma pancada permeava meus pensamentos
A velocidade pode ser meu fim
                                                  e talvez
Essa mania de querer decifrar as coisas pelo ar

As marés que se chocam, espocam
Pá!
e depois sonolência
Sussurro tintilante
da
    resiliência

Foi um dia difícil este
Que virei água calma
Corpo aos carrascos
Formas, vento
                     ondas do rio

Dia que morri
Pra, talvez,
                  o infinito
                                     

Esquecer


Em um domingo, dona Caetana, esqueceu
Sentou ao sol
Na calçada do sinal
Sentiu as unhas
                         dos pés

Uma ventania que ali soprava
Acelerou
E ela rodopiou
                        Como furacão
Encantada, procurou
Folhas livres pelo ar
Terra amanhecida entre os dedos

O que vinha era poeira
Resíduos de infelicidade
E um pedido de café
-Sem açúcar.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

0

Do fim
flecha certeira
mentiras cabíveis
o fim me conhece
está nos meus seios
na minha cabeça suada
de quase pensamentos comuns

A janela segue aberta
o quarto continua escuro
Não estou mais lá
Nem pela metade
como as palavras...
que me anunciaram em linguás modernas
o sopro
Do fim